quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Plágio.

Nunca tinha parado para pensar, até minutos atrás. O mundo é um plágio. Dá-se o exemplo de um filme romântico, mesmo que a história já tenha acontecido em outro filme, você o assiste, porque os atores são outros, e interpretam de outra maneira. Seria então um caso subliminar de substituição ou entretenimento passivo? A vida é mais ou menos assim, alguns casos se repetem mas com pessoas distintas e voltamos a viver aquilo que até mesmo um dia nos machucou e sabemos que vai machucar de novo. A gente sabe, mas a gente se engana, essa é a verdade que ninguém quer perceber.

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Inverno nuclear.

Era uma vez uma marionete. Daqueles de madeira, com cordinhas prezas ao corpo como os que se vê por ai. Nessa vez, não tínhamos mais ventríloquos, para dar voz ao boneco. Ele ficava pendurado, entre coisas velhas sem nome, talvez sonhando encontrar uma fada azul, tal qual Pinóquio. Talvez sonhando em ver aquelas cordas que estrangulam seus membros sumirem, de sentir calor em seu corpo, aprender a respirar e ter brilhos em seus olhos. Um dia alguns mendigos invadiram aquele lugar, assim como as coisas lá jogadas, não tinham nome. Era um inverno nuclear e tudo que fosse madeira ajudaria numa fogueira.

Eu sei. Você sabe.

Existe um momento na vida de cada um em que é preciso separar tudo que você já viveu daquilo que está por vir. Existe algo que ninguém pode notar. Ninguém, ninguém além de mim. E eu sei. Eu sei o que acontece quando te cobram demais, quando exigem de você coisas que você não pode dar. Hoje, depois de tudo, não sei se há como esconder a insegurança da vontade de se deixar levar pelo momento. E acho que somente em momentos como esse, quando palavras se tornam desnecessárias, é que poderemos descobrir o que é ou não é real. Ainda espero a minha resposta, ainda espero que a resposta venha de você. A minha parte já fiz, permanecendo aqui mesmo sem ter motivos para isso. E eu não preciso provar mais nada para ninguém. E você não precisa provar mais nada para ninguém. E somente eu sei o que acontece quando te cobram demais, quando exigem de você coisas que você não pode dar. E isso é algo que jamais farei. Então, quando perguntarem o que nos liga ainda, depois de tanto tempo, permaneça em silêncio. É algo que só eu e você entendemos a complexidade, o tamanho. E eu sei que a sua luta para tentar me esquecer durante todo esse tempo foi bem menor do que a vontade de ficar para sempre ao meu lado.

terça-feira, 9 de março de 2010

Noite passada.

Voltei para a cama e chorei o choro mais profundo, antigo e verdadeiro que já chorei em toda a minha vida. Um choro daqueles contidos pela eternidade. Me recordei rapidamente de todas as pessoas e coisas que perdi por ainda não estar preparada para elas, ou por ainda ter muita curiosidade de mundo e dificuldade em ser permanente. Recordei de amigos e parentes distantes, aqueles que eu sempre deixo pra depois porque moram muito longe ou acabaram se tornando pessoas muito diferentes de mim, sempre penso “mês que vem faço contato com eles”. E se não tiver mês que vem? Finalmente chorei todos os meus amores que acabaram, todas as portas que eu deixei entreabertas (porque sou péssima em fechá-las) e que se fecharam pela vida: a maioria se mudou, juntou, sumiu, nem sei por onde anda. Alguém quis fazer desses amores perdidos moradias e eu mais uma vez fiquei sem minha placa de “aluga-se”. Enfim chorei o fim de tudo, assim é a vida, uma morte a cada dia. Depois, como sempre, limpei o rosto e continuei procurando pela minha casa. Estar sempre insatisfeito, na verdade, é o que faz a gente nunca desistir de seguir em frente e quem sabe um dia se encontrar nesse mundo.

sábado, 4 de julho de 2009

A nova moral das telas.

A arte do cinema pode interferir em nossas vidas, no universo de ficção e de imagens reais ou do nosso imaginário. O sentimento, a emoção e a mágica atuam e mantêm a semente de novas atitudes e ideias no jogo visual de ficção e realidade transfiguradas. O cinema, mais do que outra arte, permite esse jogo de espelhos de face dupla. O certo é que a estética mudou e a moral também. É difícil assumir o cinema como um curioso retrato da vida nos dias atuais, quando tudo é muito transparente. Tudo parece ficção, mas que pode alterar destinos. Mas certos filmes ainda conseguem refletir a vida. Quando assistimos a certos filmes o erro é não procurar unir a vida real àquela da ficção exagerada em que o vídeo apresenta como se fossem uma só. E então o resultado é cópia ou ilusão do que é real. Curiosa, gigantesca e imensa, a população atual, em lugar de procurar ignorar, adora saber o que acontece de estranho e como fazer. ''O mundo cresceu e ao mesmo tempo ficou pequeno'', metáfora de uma aldeia. Todos querem descobrir segredos, valorizando o que não tem valor ou essência. Mulheres têm de ser sensuais e eróticas tal como aparecem nas telas, e os homens também, com ou sem preconceitos. O melhor é dizer: "fiquem", assumam e sejam liberais. Essa é a nova moral.

sábado, 6 de junho de 2009

Dos absurdos


Costumo ler as páginas policiais dos jornais. Aquele desfilar de crimes, quase sempre cometidos por motivos tão banais; ou pelo pó que vicia; ou pelo ciúme sexual que não pode ser domado; ou porque desejavam ter um tênis que não podiam comprar. E esse universo distante, envolvido em miséria e ambições sem consciência, chega pela manhã. Tenho uma desculpa ou consolo por não ter sido o responsável pelas tragédias que acontecem. Pessoas olham de longe o drama nas ruas onde o sangue não se apaga, depois fecham as janelas e voltam para as suas camas fazendo o sinal da cruz e adormecem rezando para que não aconteça com eles. A beleza nasce quase sempre da determinação de ver o que é mais bonito, não importa onde. O jasmineiro que perfuma a noite, o rio se contorcendo no contraste de palafitas e prédios vertiginosos. Não sei se é maturidade ou não, mas já me convenci de que a beleza é um sopro tranquilo que sai do peito e se liberta na imensidão da paisagem interior ou não. E ser feliz? Está na capacidade de cada um relaizar determinados sonhos. E alguns custam tão pouco e não acontecem.

sábado, 30 de maio de 2009

Help


Tem dias em que absolutamente tudo parece absolutamente insuportável.